Neste Dia Mundial da Criança celebramos todas as crianças!
Mas, somos também convocados para uma responsabilidade maior: refletir sobre o país que construímos diariamente para o futuro das novas gerações.
Nas últimas semanas fomos confrontados com estatísticas alarmantes sobre a realidade das crianças em Portugal.
Sabemos que há crianças que passam fome; crianças privadas de atividades escolares, culturais ou desportivas por falta de recursos; crianças que crescem em contextos de pobreza, negligência, violência ou exclusão; crianças vítimas de abuso sexual e de violência doméstica.
Por detrás de cada um destes casos há um rosto, uma infância que é forçada a enfrentar demasiado cedo o peso da adversidade. Há sonhos que se vão apagando, talentos que ficam por revelar e caminhos que se estreitam quando deveriam abrir-se ao mundo.
A forma como protegemos as nossas crianças constitui uma das mais exigentes provas da nossa humanidade e da nossa maturidade democrática. Quando uma criança vê o seu futuro limitado pelas circunstâncias em que nasceu, é o próprio país que falha no dever de lhe garantir dignidade, igualdade de oportunidades e esperança.
Portugal conheceu avanços significativos na promoção dos direitos das crianças.
Está em curso a implementação da Estratégia Única dos Direitos das Crianças e Jovens 2025-2035, um instrumento importante para uma resposta pública mais integrada e eficaz. Mas nenhuma estratégia produzirá os resultados desejados nas políticas públicas sem o compromisso ativo de toda a sociedade.
Num tempo marcado pelo agravamento das desigualdades e pela crescente exposição das crianças a novos riscos, precisamos de instituições mais articuladas, de comunidades mais próximas, de escolas mais inclusivas, de famílias mais acompanhadas e de uma sociedade mais consciente do dever coletivo de proteger a infância.
Precisamos, simultaneamente, de garantir a todas as crianças o direito de continuarem a sonhar, sem esquecer aquelas que vivem em situações de maior vulnerabilidade: as crianças em situação de pobreza, com deficiência ou doenças crónicas, pertencentes a minorias ou expostas à violência, ao abandono e aos riscos do ambiente digital.
Porque proteger a infância não é apenas responder às fragilidades do presente. É manter acesa a chama da esperança. É garantir que cada criança encontra espaço para crescer livre, descobrir os seus talentos e alimentar os sonhos que darão forma ao país de amanhã.
As crianças aprendem com o exemplo que lhes damos.
Talvez tenha chegado também o momento de nós, adultos, reaprendermos com elas.
Nenhuma criança nasce a odiar, a discriminar ou a excluir. Todas nascem com a capacidade de acolher, de respeitar e de acreditar.
Que as crianças nos inspirem, por isso, a olhar o outro com mais humanidade, a reconhecer na diferença uma riqueza e não uma ameaça, e a construir uma sociedade mais justa, mais livre, mais humana e mais solidária.
A todas as crianças e às suas famílias desejo um feliz Dia Mundial da Criança.